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Literatura Hindu – Poesias

Ode a Miyam Tansin

                     (Tradução e adaptação de Mestre Arnaldo)

Com a voz aveludada de intensa emoção

Ele alimentava os corações com o néctar da vida

Sua força se integrava com a do Cosmo

Ele dissolvia todos os desequilíbrios do mundo

Sua voz rejuvenescia os pássaros, as árvores, vivificando toda a folhagem e flores

Suas canções afastavam do mundo as trevas e a escuridão

Seus Aalaps alimentavam de alegria aqueles que sofriam

Sua música enebriava todo o universo

Ele foi Miyam Tansin

O maior músico que habitou a Terra

 

Shivamyogando

                     (Autoria de Mestre Arnaldo)

A harmonia do ser

A alegria de viver

O fluir da sabedoria

A consciência de agradecer

O Universo conspira

 

Ode ao Ganga

                     (Autoria de Mestre Arnaldo)

Om Shiva! Om Namah Shivaya

O Ganga flui em harmonia com o fluxo da natureza

Banhando terras áridas e inóspitas

Purificando e alimentando os seres

Séculos e séculos de Ishwarapranidhana (autoentrega)

Enebriando os peregrinos com sua música perene

Nutrindo a matéria e o espírito

Ganga Mayi! Ganga Mayi!

A energia cósmica fluindo em intensa alegria

Om Ganga Mayi! Om Namah Shivaya!

A ti reverencio!

 

Sadhus

(Autoria de Mestre Arnaldo)

Ilustres iletrados

Rebeldes inusitados

Aparentemente apáticos

Internamente energizados

Os olhos semicerrados

A paciência exaltada

A imersão na mente

A purificação latente

A espiritualidade emanada

A felicidade perene

A conquista imanente

Karmas e Dharmas em intenso fluxo

De alegria e contentamento

Em sabedoria e Samadhi

 

Sadhus

No tempo, eles se perdem e, no espaço, eles se preenchem. Na vida, eles se imergem. Na busca, eles se realizam.

Irreverentes, extrovertidos, impactantes, exuberantes, desafiantes.

Sem vestes ou com elas em laranja-terra, ou coberto das cinzas daqueles que já se transmutaram, absortos no tempo, desafiam o Universo em Dhyana (meditação).

Ilustres iletrados, vigorosos ascetas, descortinam o conhecimento intuitiva e esplendorosamente.

Arquitetos do saber, plenos de energia e espiritualidade: Sadhus, o Hinduísmo em sua expressão mais nobre, mais pura, mais ardente.

Os heróis da vida e da existência. Louvemos sua audácia, sua inquietude, sua fantástica dimensão transcendente/imanente.

Om Shri Sadhus! Om Tat Sat!

(Mestre Arnaldo)

Aspectos Gerais da Cultura Hindu

(Texto e pesquisa pelo Mestre Arnaldo de Almeida)

Hinduism

O Hinduísmo se constitui em uma das maiores riquezas culturais da humanidade. Ele se concretizou, ao longo  dos séculos, de forma muito vasta e prolixa. São muitos os elementos que fundamentam seus costumes, sua arte e suas tradições. Falar dessa cultura é algo muito complexo, até porque o subcontinente indiano existe enquanto ambiente humano há milhares de anos.

“Os primeiros testemunhos da presença humana na Índia remontam à era paleolítica e consistem em lascas de pedra lavrada, encontradas ao longo do curso do rio Soam, um pequeno afluente do Indo e produzidas, provavelmente por populações procedentes da Ásia centro-oriental, que desceram rumo ao norte do subcontinente indiano drante o segundo Período interglacial, ou seja, entre 400.000 e 200.000 anos atrás (…) Durante a era mesolítica, 30.000 anos antes de nossa era, chegou à Índia uma segunda avalancha migratória (…) A transição do nomadismo para a vida sedentária (…) parece ter se desenvolvido na Índia depois de 6.000 a. C. (…). (ALBANESE, M. Índia Antiga. Barcelona: Folio, 2004. P. 16. (Série Grandes Civilizações do Passado).

 

É muito polêmico falar do Hinduísmo, principalmente no que se refere ao passado, pois todos os relatos estão impregnados de visões mitológicas. Algo comum, na história da Índia, é sua tendência em tornar tudo mito. De qualquer forma, as raízes de toda essa cultura iniciaram-se cerca de quinze mil anos atrás. Segundo alguns historiadores, pesquisadores e estudiosos, no passado remoto da Índia, floresceu uma sociedade denominada de drávida ou dravidiana. Seus territórios estendiam-se por regiões que hoje fazem parte do Paquistão e grande parte da Índia. Essa cultura se constituiu em uma civilização centrada em um desenvolvimento com base no comércio, na agricultura e voltada para processos terapêuticos de autoconhecimento, com cultos devocionais direcionados às forças da Natureza. Esta, a Natureza, era considerada como espiritual. Analisando artefatos da antiga civilização do Vale do Indo, Albanese afirma que sacralizar a vida e o mundo era um traço marcante da antiga cultura hindu dravídica:

A sacralidade da natureza parece corroborada numa figura de semblante feminino cujo corpo produz uma árvore. (ALBANESE, M. Índia Antiga. Barcelona: Folio, 2004. p. 21). (Série Grandes Civilizações do Passado)

 

A civilização drávida se fortaleceu através de um sistema sócio-político-cultural matriarcal e democrático, diferentemente da maioria das outras civilizações, estas sempre baseadas em um sistema patriarcal ou totalitário. Nascidos de uma visão matriarcal da existência, os mitos dessa sociedade não seriam figuras ligadas à violência ou à guerra, o mito principal era a Grande Mãe representando a mãe natureza fértil e amorosa:

A Grande Deusa, senhora da vida e da morte, deve ter desempenhado papel fundamental no panorama religioso de uma civilização sedentária e agrícola como a do Vale do Indo. (…) o culto à Grande Deusa deve ter sido uma marca característica da religiosidade da civilização do
Vale do Indo e entre outras obras achadas (…) destacam-se imagens femininas de grandes seios e umbigo acentuado que remetem à maternidade e à fertilidade  (…) (
ALBANESE, M. Índia Antiga. Barcelona: Folio, 2004. p. 16 e 21). (Série Grandes Civilizações do Passado).

 

Nessa civilização, a mulher era o centro e a provedora da vida e, como tal, era um ser privilegiado e respeitado, assim como a natureza, que era vista como contendo em si toda a potencialidade cósmica de sabedoria e poder e, também, como uma mantenedora de vida e de ensinamentos.

 

Essa civilização dravidiana prosperou muito, teve seu apogeu, enriqueceu e não se sabe por que abandonou o Vale do Indo e se dispersou por várias regiões da Índia. Atualmente a ciência da Arqueologia e da História vem estudando essa civilização através das escavações nas cidades de Mohenjo Dharo e Harappa, entre outras, assim como os estudiosos e praticantes de yoga vêm dedicando variados estudos sobre essa civilização e estes últimos revivendo muitas de suas vivências e conhecimentos.

Para o Sistema Shivam Yoga, a marca principal da civilização drávida era sua busca do autoconhecimento, do desenvolvimento interior e do desabrochar dos poderes internos do ser humano.

 

CIVILIZAÇÃO DRAVIDIANA

Segundo alguns historiadores, a civilização dos povos dravidianos, geograficamente, estendia-se do Mediterrâneo à Ásia menor e concentrou-se fortemente na região do Vale do Indo, abrangendo hoje região do Paquistão e da Índia. A Arqueologia tem prestado um inestimável serviço aos pesquisadores e estudiosos do Yoga e das filosofias da Índia Antiga. Através da descoberta de tesouros arqueológicos encontrados nas cidades anteriormente soterradas de Mohenjo Dharo e Harappa, pode-se, atualmente, demonstrar a existência de uma civilização ímpar no referido Vale. De acordo com alguns estudos, esses povos não eram nômades e viveram em um processo de sedimentação sócio-econômica em cidades e aldeias, cujo eixo econômico dava-se a partir do comércio e da produção agrícola. A agricultura, então muito desenvolvida, servia de suporte para o crescimento das cidades. Estas comercializavam os produtos para outros centros, além de também produzirem tecnologia e arte, que também produziam riqueza para essas cidades e aldeias. Tais tecnologias e arte também eram comercializadas para fora. De alguma forma, havia, no bojo dessa civilização, uma busca de progresso, porém feito de forma mais integrada com o meio.

A análise das ruínas das cidades do Vale do Indo leva a inúmeras hipóteses e a algumas conclusões. As cidades possuíam um lugar especial, sempre sendo um lugar central e mais elevado, como uma grande praça, onde a população se reunia. Há uma certa homogeneidade nas construções, além de haver também um processo de não segregação entre pessoas com mais posses e outras de posses mais reduzidas. Havia diferenciações de poder financeiro, mas as casas mais ricas convivem com certa harmonia com outras não tão ricas, sugerindo que havia um certo processo de integração entre as camadas sociais distintas. As construções encontradas mostram que a população vivia razoavelmente bem e com certo conforto. As ruas, apesar de largas, eram de terra, o que se presume que a cidade enfrentava problemas com a poeira e, talvez por isso, as casas fossem construídas de costas para a rua. Tais residências eram construídas muito próximas uma das outras (costume ainda muito presente na Índia de hoje).  Há uma drenagem das águas para uso em relação às águas já utilizadas. Então há uma higiene urbana (saneamento). “As águas servidas escoam livremente, porque a inclinação, bem calculada, evita que voltem. Sem estagnação não há odores – e estamos na pré-história.” (LYSEBETH, A. Van. Tantra – o culto da feminilidade. São Paulo: Summus, 1994. p.16). Nos túmulos, foram encontradas ossadas de diversas raças, de pessoas que se agregaram e viveram em união sendo de raças diferentes, comprovando não haver racismo. “O racismo é desconhecido: nos túmulos, foram encontrados esqueletos de raças diferentes lado a lado, provando que havia casamentos mistos.” (LYSEBETH, A. Van. Tantra – o culto da feminilidade. São Paulo: Summus, 1994. p. 16). Nenhum grande templo, nenhum grande palácio, mas, sim, grandes construções de banhos, afinal eram povos que adoravam Kriyas, purificações, e eram povos criadores das terapias naturais e das filosofias espiritualistas. Todas as casas tinham um local especial e central, o qual era o centro da construção e onde se faziam os Pujas. Esses povos tinham como alvo de seus Pujas a Grande Mãe Natureza ou Grande Mãe Cósmica, que representava a força do feminino. Daí advém a vivência matriarcal e a mulher sendo colocada no centro da sociedade, uma vez que ela é o ser privilegiado, aquele que está mais próximo dessa Grande Mãe. Por tudo isso, acredita-se que tais cidades não eram governadas por algum governo tirânico e centralizador, levando-se a concluir que o sistema de governo era – de alguma forma -democrático. Dessa forma, os historiadores acreditam que essas cidades foram governadas por segmentos da população e não por um Grande Guerreiro ou Imperador ou um Sumo-Sacerdote. A não existência de um grande templo não significa, porém, que essa sociedade não era espiritualista. Todas as descobertas levam a crer na existência de Pujas à Deusa-Mãe, sendo feitos em lugares especiais no centro das casas, assim como para Shiva. Também foram encontrados por toda parte Lingas (Pujas à fertilidade masculina) e estátuas de Shiva, muitas das vezes em posições do yoga.

Para nós, tântricos e do Sistema Shivam Yoga, Shiva foi um Maha Yogue Rishi, um Mestre que atingiu o Samadhi e se tornou um Yogue iluminado, tendo sido aquele que intuiu e criou o Yoga Tântrico, sendo o Grande Patrono do Sistema Shivam Yoga (Shivam Yoga – Yoga de Shiva).

Hanuman : O Rei dos Macacos

Hanuman é o Rei dos Macacos, sendo cultuado de forma muito intensa pelos hindus. Segundo estudiosos ele representa um dos aspectos de Shiva.

Na tradição hinduísta, ele é o fiel companheiro de Rama (uma das sete encarnações de Vishnu).  Sabe-se que Rama, por sua vez, também é uma das deidades mais conhecidas por toda a Índia.

Por meio das histórias que se contam sobre a figura de Hanuman, percebe-se que ele encarna o aspecto concreto da força, possuindo poderes incomensuráveis. Outra característica muito importante presente nessa figura mitológica está relacionada ao fato de Hanuman ser dotado de um forte caráter, o qual se expressa em ações que o apresenta como possuidor de grande virtude.

Entre as lendas sobre Hanuman, destaca-se aquela que fala de Brijaspati, o guru das deidades, o qual tinha uma criada chamada Punyikastala. Em função de uma briga na quale la se envolveu, Brijaspati a transformou em um macaco e ela somente retomaria a sua forma anterior quando desse a luz a uma encarnação de Shiva. Em um de seus renascimentos, ela renasceu como Añyana e, como tal, passou a levar uma vida austere e dedicada a Shiva. Este, em função dessa sua dedicação e devoção a ele, sentiu piedade de sua sorte e tratou de lhe ajudar. Em determinada ocasião, enquanto Agni, o deus do fogo, entregava um prato de doces sagrados a Dasarath, rei de Ayodhya, uma águia aproximou-se e roubou uma das guloseimas dedicadas ao referido rei. Logo a seguir, a águia soltou tal alimento na mão de Añyana, enquanto ela meditava. Absorta em estado de meditação, ela comeu a sobremesa divina e deu a luz a Hanuman. Seu nascimento libertou a mãe, que voltou a ivenciar sua existência anterior, porém com mais consciência e sabedoria. Añyana revelou ao filho que ele seria imortal e que seu alimento seria composto de frutas maduras e brilhantes como o Sol.

Hanuman, quando criança, foi adotado, como discípulo, por Surya (a divindade relacionada ao Sol). Este lhe ensinou as sagradas escrituras hindus. O poder de concentração de Hanuman era tão forte que o fez memorizar os ensinamentos em muito pouco tempo. Apesar de possuir todos os conhecimentos presents nos textos sagrados do hinduísmo, Hanuman não se vangloria do muito que sabe, o que lhe confere uma de suas características mais essenciais: ser a própria expressão da humildade.

Kundalini : A Força da Transformação

A grande intuição dos Maha Yogues Rishis de Bharata foi a percepção da

existência da energia Kundalini. Todo o Tantrismo que se foi estruturando, ao

longo dos séculos, da Índia Antiga até a atual, teve, por base, essa consciência da

força transformadora de Kundalini.

 

Segundo os tratados tântricos, Kundalini transforma o Sadhaka

(praticante de Yoga tântrico) como um todo, desde seu Sthula Sharira (corpo

físico) até Purusha (corpo espiritual). Ao final de seu processo de busca e

realizações, o Sadhaka encontrará o Samadhi (Iluminação).

 

O Tantra, então, possui todo uma arcabouço teórico-filosófico e prático

sobre a energia Kundalini. O Tantrismo irá apresentar inúmeros meios para o

despertar dos poderes latentes em Kundalini, possibilitando ao Sadhaka sair de

um estado de ignorância e de falta de consciência (Avidya) para um estado de

pleno conhecimento e sabedoria (Vidya).

 

Para o pleno despertar de Kundalini, os mestres tântricos estruturaram o

Yoga Tântrico, o qual, através de inúmeras técnicas (exercícios), oferece ao

Sadhaka os meios ideais para esse despertar e esse é o objetivo básico do

Sistema Shivam Yoga.

 

Felizmente, hoje, apesar de inúmeras distorções, já estão bastante

difundidos pelo mundo os conceitos básicos do Yoga Tântrico e eles têm

influenciado o Ocidente de variadas formas – veja a psicanálise e os conceitos

freudianos sobre a libido e os métodos de tratamento psicológico de Reich, Jung

e outros pensadores ocidentais.

 

Cada dia mais pessoas se interessam pelo Yoga Tântrico, mesmo que, às

vezes, influenciadas apenas pelo lado da liberdade sexual presente nos

corolários do Tantrismo de um modo geral.

 

O Sistema Shivam Yoga, por seguir o Yoga Tradicional Indiano, utiliza dos

conhecimentos do Yoga Tântrico em suas práticas e faz todo um trabalho no

sentido de ir despertando gradativamente a força transformadora de Kundalini,

através, por exemplo, dos Shivamyogasanas, dos Kriyas, dos Bandhas, dos

Pranayamas, dos Mudras, dos Mantras, do Dhyana, entre outras técnicas por nós

utilizadas.

 

Para nós, do Sistema Shivam Yoga, Kundalini é a força, a inteligência e a

consciência cósmicas latentes em cada indivíduo, estando localizada no Chakra

raiz (Mooladhara) e potencialmente passível de ser despertada por meio de

técnicas do Shivam Yoga e da observação dos preceitos concernentes ao Tantra e

ao Samkhya e que, ao ser despertada, Kundalini vai potencializando os poderes

relacionados a cada Chakra especificamente, propiciando, ainda, ao

Shivamyoguim se estruturar em todos os seus níveis para a obtenção do

Samadhi.

 

Para os Yogues e os sábios tântricos, Kundalini significa total poder e total

força e é por isso que o Yoga Tântrico e o Shivam Yoga apresentam um trabalho

forte e poderoso e, principalmente, transformador.

É por demais sabido de todos estudiosos e seguidores do Tantra que,

quando se desperta Kundalini, as mais altas experiências (sintonia com Budhi) e

os mais altos conhecimentos (sintonia com a Egrégora e com os Yogues Rishis)

chegam até nós.

 

Ocorre, certamente, em nós um total processo de transformação e de

mudanças, tanto no nível dos corpos materiais, quanto no nível dos corpos

espirituais, Os elementos do corpo físico, por exemplo, mudam (ficamos mais

jovens e mais bonitos, por exemplo), os elementos emocionais e mentais também

se transformam (temos mais consciência de nossos sentimentos e de nossos

pensamentos e ideias), os elementos espirituais também mudam, tornamo-nos

mais conscientes e sábios.

Transformando-se em um Instrutor & Yoguim

A transformação de um indivíduo comum em um iniciado em Marga diz respeito a um processo de desconstrução e reconstrução, muitas das vezes doloroso, mas que desemboca em um estar no mundo consciente e, assim, alegre e feliz.

A aproximação com esse caminho se dá em vários momentos de nossa existência e vai depender, essencialmente, de como vimos construindo nossos Dharmas, estes, por sua vez, se edificam na medida da produção de nossos Karmas.

Há uma diferença básica entre um indivíduo comum e um iniciado na Senda. Aquele pauta-se por uma vida construída “ao acaso”, tendo pouca consciência de seus desejos, intenções, pensamentos, palavras e, principalmente, ações. O iniciado, por sua vez, se esmera em ter consciência em todos os seus movimentos, sejam eles internos, sejam eles externos.

O Dharma de merecimento se faz para todos, independentemente de nossa postura do mundo: sejamos iniciados ao não. Vamos construindo, a todo segundo, merecimentos. Vibramos em determinadas frequências e estas retornam para nós na mesma intensidade e qualidade. Somos, então, responsáveis por tudo que nos acontece. Todos os acontecimentos de nossa vida se dão em função dessa contínua força que movimenta o Universo: força de ação e reação – Karmas.

Estar no Curso de Formação em Shivam Yoga significa um Dharma de merecimento – que pode ser positivo ou não, dependendo da forma como cada um se coloca perante os desafios que lhe serão colocados à sua frente.

Alguns julgarão que o curso visa a formar professores ou Instrutores. Ledo engano: o Dharma de cada um que chega a esse curso é o de se tornar um Yoguim.

Para isso a desconstrução se dará, inevitavelmente. As cristalizações de todos os nossos movimentos até então empreendidos serão revisitadas. Aquelas que nos bloqueiam e nos impedem de sermos conscientes, alegres e felizes terão de ser desconstruídas.

Essas cristalizações estão registradas em nosso mundo físico (Sthula Sharia – instância material). Em Sthula Sharira se encouraçam nossos medos, nossas ansiedades, nossos fracassos, nossos egoísmos, egocentrismos, raivas, iras, dores, bem como nele se registram as nossas alegrias, realizações e felicidades. Também essas cristalizações se dão nas redes energéticas dos outros Shariras e elas também serão movimentadas por meio do Sadhana de Shivam Yoga, envolvendo, ainda, claro, o Jñana Shivam Yoga, Sadhana do conhecimento.

Todo o processo é o de dissolver as cristalizações negativas, para que as positivas inundem nosso ser. Para isso o buscador terá de saber se libertar de todas as suas crenças e vivências em si edificadas pelo mundo ocidental e cristão no qual tal buscador foi construído.

Sair de todo esse processo cientificista, racionalista, especista, antropocêntrico, egoísta, egocentrista, competitivo, restritivo e, principalmente, com uma ética distorcida por essas visões e comportamentos, demandará muito tempo, muito esforço, muita disciplina, muita força de vontade e muita energia para se tornar um Yoguim consciente, ético e responsável.