Dhanvantari : O Ayurveda em forma de Deidade

Nascido na Índia Antiga, o Ayurveda tem, como filosofia, levar o indivíduo a se

autoconhecer e a prestar atenção em seu comportamento e em seus hábitos, para que

possa desfrutar de uma vida mais saudável, mais plena e mais feliz. No entanto, ele está

sendo difundido para o mundo de forma muito peculiar, como se centrasse apenas no

combate às doenças, como se faz na medicina ocidental.

Historicamente, sabe-se que as terapias que, conjuntamente, formam o que se

denomina – hoje – de Ayurveda tiveram seu surgimento ligado aos povos dravidianos, Índia

Antiga, cerca de 15.000 anos atrás e, por isso, tais terapias se estruturaram em

determinadas bases teórico-filosóficas, centradas nos princípios do Samkhya e do Tantra.

Seguindo, então, os parâmetros filosóficos, sociais, culturais, políticos e

comportamentais daqueles povos, o Ayurveda surgiu com o objetivo de propiciar meios de

vida em harmonia e equilíbrio com o indivíduo e com o mundo à sua volta.

União é uma palavra-chave para essa cultura milenar: unir o ser humano em seus

sete níveis e, ainda, com o mundo exterior – Natureza e animais – Cosmos e Universo. O

fluir da vida de cada indivíduo deveria estar em sintonia com o fluir do Dharma universal e

com o Dharma individual – essa, também, é uma das premissas básicas do Ayurveda

Tradicional Indiano.

Ao se analisarem as civilizações do Ocidente, constata-se um caminho muito

contrário às vias do Ayurveda Tradicional Indiano. A saúde, nesse processo civilizatório

ocidental, é buscada através do aperfeiçoamento de técnicas químicas, higienistas e

separativistas. Esse processo levou o indivíduo ocidental a deixar que o outro cure seus

males, passando a ser uma pessoa passiva, daí surgir a denominação paciente.

Todo esse conjunto de ações é agravado pelo pensamento egocêntrico,

antropocêntrico, evolucionista e especista, que levou o ser humano do Ocidente a se julgar

superior aos demais seres.

Para o Ayurveda, um indivíduo em contínuo estado de Avidya (ignorância e falta de

consciência espiritual) certamente, mais cedo ou mais tarde, adoecerá fisicamente.

Seguindo o pensamento do Tantra, o Ayurveda entende que o ser humano é um

microcosmo energético dentro de um macrocosmo e qualquer alteração em um acarreta

mudanças e alterações no outro. Tudo está interligado. Individualmente, no que diz respeito

ao corpo físico, todos os sistemas orgânicos também estão intrinsecamente interligados, não

havendo a possibilidade de se atuar em sistemas separadamente. O todo tem de estar em

equilíbrio e harmonia, assim como as partes. Para o Ayurveda, toda doença é fruto de algum

processo de desarmonia, gerado em outros níveis que não o físico e, assim,

visam a atuar em todas as instâncias de que se compõe o ser humano.

Posted on: 20 de fevereiro de 2016, by : Mestre Arnaldo