O Tantra : Aspectos Gerais

O Tantra teve seu desenvolvimento juntamente com o fortalecimento da sociedade dravidiana do Vale do Indo. Foram os Maha Yogues Rishis de Mahabharata que intuíram as variadas formas de se estabelecerem contatos com os poderes da Natureza e esses contatos foram sendo codificados e estruturados com o nome de Tantrismo. Um desses aspectos foi denominado de Shaivismo.

Essa corrente de prática e de pensamento denominada de Shaivismo é, na verdade, um aspecto geral do Tantra, principalmente daquele aspecto voltado para o diálogo de Shiva com sua “consorte” Shakti. Costuma-se, também, pensar mesmo que o Tantrismo é um aspecto derivado do Shaivismo.

Em um sentido específico, pode-se pensar o Shaivismo como sendo uma escola com um arcabouço teórico-filosófico, que é apresentado sempre através do diálogo estabelecido entre Shiva e Shakti, apresentando, ainda, práticas, rituais e tradições milenares sempre estruturados no diálogo entre Shiva e sua consorte “mística” Shakti, geralmente denominada de Durga ou de Kali.

Para o Hinduísmo, o Shaivismo (o Tantra) é uma escola filosófica à parte, não sendo, então, considerada uma escola ortodoxa, pois seus corolários muitas das vezes não seguem a tradição dos Vedas.

Dessa forma, os próprios tântricos e mesmo a cultura hindu acabaram por aceitar a tradição do Tantra como sendo uma escola filosófica à parte e que é considerada como o quinto Veda.

 

Por que o Tantra geralmente tem Conotação Negativa?

O Tantra, porém, apesar de imensamente presente na Índia, através de sua inserção nos cultos devocionais do Vedanta (Pujas, por exemplo), não é muito bem-visto pelos eruditos Brahmanes e pelos estudiosos e seguidores da escola filosófica do Vedanta, sendo sempre visto com uma conotação negativa, muitas das vezes ligadas a ideias de magia, ocultismo, superstição, de rituais sangrentos e de “depravação” sexual (rito Maithuna visto de forma preconceituosa, assim como a ideia de liberdade comportamental contida no Tantrismo).

A palavra Tantra (e entendendo-se Tantra como Shaivismo) significa uma “teia”, uma “urdidura”, significando, também, “série de rituais”, série de iniciações”, “série contínua”, “série de ensinamentos”. Literalmente a palavra “Tantra”, que é uma palavra da língua sânscrita, é constituída de duas partes – “Tan”, que significa “crescer” ou “desenvolver” e do sufixo “Tra”, que significa “instrumento” ou “ferramenta”.

Literalmente poder-se-ia definir “Tantra” como sendo “ferramenta ou instrumento para o crescimento ou para o desenvolvimento”, no caso, desenvolvimento do Sadhaka ou do Vira e, no nosso caso, do Shivamyoguim ou da Shivamyoguine.

O sufixo “Tra” está também presente em outras palavras importantes para o Yoga Tântrico: está presente, por exemplo, na palavra “Yantra” (“Yan” – algo ligado à forma e “Tra” – instrumento ou ferramenta – assim literalmente Yantra seria “ferramenta ou instrumento para se entender a forma) e na palavra “Mantra” (“Man” – algo ligado a pensador, a pensamento e “Tra” – ferramenta ou instrumento – literalmente “ferramenta ou instrumento para se dominar o pensamento ou o pensador”).

Na verdade, a palavra “tantrismo” é uma criação ocidental e não corresponde à verdadeira noção de do termo “Tantriki”, que, na Índia, significa qualquer ritual que se diferencia, pelos detalhes nele presentes, dos rituais contidos nos Vedas.

O Tantra sempre foi olhado com certo distanciamento pelos compiladores dos Vedas, os quais, na sua quase totalidade, eram de formação da escola Vedanta e, portanto, faziam muitas restrições às ideias contidas nos tratados ou nas práticas tântricas dravidianas. Essas práticas, porém, estão presentes nos Vedas, pois todos os Pujas com seus rituais se originaram no Tantrismo; Dhyana, Mantras, Mudras, uso dos elementos da Natureza, etc.

Posted on: 05 de julho de 2015, by : Mestre Arnaldo