Tantra

Hanuman : O Rei dos Macacos

Hanuman é o Rei dos Macacos, sendo cultuado de forma muito intensa pelos hindus. Segundo estudiosos ele representa um dos aspectos de Shiva.

Na tradição hinduísta, ele é o fiel companheiro de Rama (uma das sete encarnações de Vishnu).  Sabe-se que Rama, por sua vez, também é uma das deidades mais conhecidas por toda a Índia.

Por meio das histórias que se contam sobre a figura de Hanuman, percebe-se que ele encarna o aspecto concreto da força, possuindo poderes incomensuráveis. Outra característica muito importante presente nessa figura mitológica está relacionada ao fato de Hanuman ser dotado de um forte caráter, o qual se expressa em ações que o apresenta como possuidor de grande virtude.

Entre as lendas sobre Hanuman, destaca-se aquela que fala de Brijaspati, o guru das deidades, o qual tinha uma criada chamada Punyikastala. Em função de uma briga na quale la se envolveu, Brijaspati a transformou em um macaco e ela somente retomaria a sua forma anterior quando desse a luz a uma encarnação de Shiva. Em um de seus renascimentos, ela renasceu como Añyana e, como tal, passou a levar uma vida austere e dedicada a Shiva. Este, em função dessa sua dedicação e devoção a ele, sentiu piedade de sua sorte e tratou de lhe ajudar. Em determinada ocasião, enquanto Agni, o deus do fogo, entregava um prato de doces sagrados a Dasarath, rei de Ayodhya, uma águia aproximou-se e roubou uma das guloseimas dedicadas ao referido rei. Logo a seguir, a águia soltou tal alimento na mão de Añyana, enquanto ela meditava. Absorta em estado de meditação, ela comeu a sobremesa divina e deu a luz a Hanuman. Seu nascimento libertou a mãe, que voltou a ivenciar sua existência anterior, porém com mais consciência e sabedoria. Añyana revelou ao filho que ele seria imortal e que seu alimento seria composto de frutas maduras e brilhantes como o Sol.

Hanuman, quando criança, foi adotado, como discípulo, por Surya (a divindade relacionada ao Sol). Este lhe ensinou as sagradas escrituras hindus. O poder de concentração de Hanuman era tão forte que o fez memorizar os ensinamentos em muito pouco tempo. Apesar de possuir todos os conhecimentos presents nos textos sagrados do hinduísmo, Hanuman não se vangloria do muito que sabe, o que lhe confere uma de suas características mais essenciais: ser a própria expressão da humildade.

O Tantra : Aspectos Gerais

O Tantra teve seu desenvolvimento juntamente com o fortalecimento da sociedade dravidiana do Vale do Indo. Foram os Maha Yogues Rishis de Mahabharata que intuíram as variadas formas de se estabelecerem contatos com os poderes da Natureza e esses contatos foram sendo codificados e estruturados com o nome de Tantrismo. Um desses aspectos foi denominado de Shaivismo.

Essa corrente de prática e de pensamento denominada de Shaivismo é, na verdade, um aspecto geral do Tantra, principalmente daquele aspecto voltado para o diálogo de Shiva com sua “consorte” Shakti. Costuma-se, também, pensar mesmo que o Tantrismo é um aspecto derivado do Shaivismo.

Em um sentido específico, pode-se pensar o Shaivismo como sendo uma escola com um arcabouço teórico-filosófico, que é apresentado sempre através do diálogo estabelecido entre Shiva e Shakti, apresentando, ainda, práticas, rituais e tradições milenares sempre estruturados no diálogo entre Shiva e sua consorte “mística” Shakti, geralmente denominada de Durga ou de Kali.

Para o Hinduísmo, o Shaivismo (o Tantra) é uma escola filosófica à parte, não sendo, então, considerada uma escola ortodoxa, pois seus corolários muitas das vezes não seguem a tradição dos Vedas.

Dessa forma, os próprios tântricos e mesmo a cultura hindu acabaram por aceitar a tradição do Tantra como sendo uma escola filosófica à parte e que é considerada como o quinto Veda.

 

Por que o Tantra geralmente tem Conotação Negativa?

O Tantra, porém, apesar de imensamente presente na Índia, através de sua inserção nos cultos devocionais do Vedanta (Pujas, por exemplo), não é muito bem-visto pelos eruditos Brahmanes e pelos estudiosos e seguidores da escola filosófica do Vedanta, sendo sempre visto com uma conotação negativa, muitas das vezes ligadas a ideias de magia, ocultismo, superstição, de rituais sangrentos e de “depravação” sexual (rito Maithuna visto de forma preconceituosa, assim como a ideia de liberdade comportamental contida no Tantrismo).

A palavra Tantra (e entendendo-se Tantra como Shaivismo) significa uma “teia”, uma “urdidura”, significando, também, “série de rituais”, série de iniciações”, “série contínua”, “série de ensinamentos”. Literalmente a palavra “Tantra”, que é uma palavra da língua sânscrita, é constituída de duas partes – “Tan”, que significa “crescer” ou “desenvolver” e do sufixo “Tra”, que significa “instrumento” ou “ferramenta”.

Literalmente poder-se-ia definir “Tantra” como sendo “ferramenta ou instrumento para o crescimento ou para o desenvolvimento”, no caso, desenvolvimento do Sadhaka ou do Vira e, no nosso caso, do Shivamyoguim ou da Shivamyoguine.

O sufixo “Tra” está também presente em outras palavras importantes para o Yoga Tântrico: está presente, por exemplo, na palavra “Yantra” (“Yan” – algo ligado à forma e “Tra” – instrumento ou ferramenta – assim literalmente Yantra seria “ferramenta ou instrumento para se entender a forma) e na palavra “Mantra” (“Man” – algo ligado a pensador, a pensamento e “Tra” – ferramenta ou instrumento – literalmente “ferramenta ou instrumento para se dominar o pensamento ou o pensador”).

Na verdade, a palavra “tantrismo” é uma criação ocidental e não corresponde à verdadeira noção de do termo “Tantriki”, que, na Índia, significa qualquer ritual que se diferencia, pelos detalhes nele presentes, dos rituais contidos nos Vedas.

O Tantra sempre foi olhado com certo distanciamento pelos compiladores dos Vedas, os quais, na sua quase totalidade, eram de formação da escola Vedanta e, portanto, faziam muitas restrições às ideias contidas nos tratados ou nas práticas tântricas dravidianas. Essas práticas, porém, estão presentes nos Vedas, pois todos os Pujas com seus rituais se originaram no Tantrismo; Dhyana, Mantras, Mudras, uso dos elementos da Natureza, etc.